É realmente um feito que Wakanda Forever seja um filme tão bom. Tendo passado pelos "contratempos" que o filme teve, e isso envolve o insistente posicionamento da sua protagonista em, dirante uma pandemia (a do covid19), se mostrar uma antivacina das mais salafrarias, o que pode ter tornado o ambiente de filmagens no minimo complicado, mas aqui ja estou conjecturando. Entretanto posso dizer que para mim esse fato tornou a apreciação do filme um tanto amarga principalmente no começo. Foi bem dificil esquecer dessa presepada da atris, o que fez com que meu esforço pra apreciar o filme de peito aberto fosse maior. Entretanto depois de respiradas profundas e entortadas de cara, toda vez que a personagem aparecia, e um esforço pra esquecer as besteiras que ela tinha feito, consegui abster bastante do que sabia sobre a mesma e me entreguei a trama, e aqui fica um elogio à interprete da Shuri (que não citarei nominalmente em momento algum desta resenha), pois esta não fosse tão boa atriz é de certo que eu não teria conseguido relevar suas presepadas. Assim pude apreciar o filme por aquilo que estava acontecendo dentro da trama, sem interferencia de minha ideologia quanto ao posicionamento antivacina da atriz, o que me levou a amar o filme. É bem provavel que para o grande publico, que desconhece os posicionamentos da desgraçada da atriz, o filme seja ainda melhor, sem essa interferencia da realidade.
Um outro fato que torna o segundo filme do Pantera Negra um feito, e que não deve ser considerado como "contra tempo", haja vista este fato ser determinante, não so para a trama do filme, como para a relação que o espectador terá com a obra, é a morte do ator que interpretava o personagem principal desta que seria a franquia com a cara de Chadwick Boseman. Uma tristeza que o filme explora, mas não a exaustão, o que me agradou, pois, um pouco mais exagerada essa homenagem e poderia ter ficado de mau gosto, uma exploração excessiva sobre a perda de um talentoso trabalhador, pra gerar lucro sobre a dor. É bom que a Marvel não tenha enveredado por esse caminho, poupando a imagem do ator até o fechamento do longa, que ja começa com o desespero da nova protagonista, Shuri, tentando encontrar alguma cura para a doença terminal do irmão. Busca esta que fracaça e na cena seguinte temos o enterro do rei de Wakanda, o que faz com que a Rainha Ramonda (Angela Basset) assuma o trono, e jogue Shuri em uma tristesa e revolta que a fazem questionar qual seu papel como princesa daquele reino.
A partir da aceitação da Rainha sobre a morte do filho, a relação entre mãe e filha é explorada, neste filme assim como a relação de pai e filho era mote do primeiro, e com isso podemos abrir varios paralelos entre o primeiro e o segundo filme, onde o tema de legado, quebra da tradição, aceitação da perda, e de como os personagens vão lidar com os desafios de seus tempos, move a trama e exige dos personagens atitudes nem sempre nobres mas necessarias no contexto onde essas atitudes devem ser tomadas. Particularmente eu gostei bastante de como esse filme é feminino, sem ser forçador de barra. Temos a presença majoritariamente de mulheres em cena, são elas que movimentam a trama, os conflitos e as intrigas politicas, sem contar na ação e na pancadaria, seja nas cenas com as dora milage, representadas principalmente na figura de Okoye (Danai Gurira), seja na furtividade e habilidade de Nakia (Lupita Nyong'o, que pelo amor de deus como está linda nesse filme), ou na brutalidade da batalha final em que Shuri, trajando o uniforme de Pantera Negra, não mede a força dos golpes e demonstra real empenho em matar seu adiversario, Namor (Tenoch Huerta). É também atravez da morte de mulheres onde o conflito entre as nações de Talokan e Wakanda, ganham implicações mais impactantes, conflito este que até então eram apenas bravata diplomatica.
Um filme de heroina negra que nao pode se vender como tal por conta do posicionamento politico, bastante mau carater, da interprete principal. Uma pena que um marco como tal não tenha podido ser promovido da forma que deveria. Por outro lado a promoção se focar como um filme de Wakanda e não so de um super heroi especifico, dá ao espectador a possibilidade de interpretá-lo pelo que é, e por aquilo que acontece na projeção, e não se fiar por algum material promocional. È uma experiencia agradavel a de ver um filme sem interferencia ou norte plantado por materiais promocionais.
Um filme de sentimentos e legados, de dialogos afiados, de ação crua e brutal. Um filme lindo e cheio de personalidade. Wakanda Para Sempre é um otimo filme e agora está em meu top 3 filmes da marvel e em meu top 2 filmes de super herois.
NOTA: 9,5 / 10
E é isso ai, até semana que vem.
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Bastidor:
Eu comecei a fazer essa resenha quando vi o filme pela primeira vez, em novembro de 2022, entretanto não tive tempo de conclui-la, o que deu tempo do filme sai no Disney Plus, assim eu pude refrescar a a memoria e confirmar minhas impressões sobre ele.
Post escrito por Surfista Aluminado