Olá fugitivos, faz tempo que eu ando sumido, mas não é que eu tenha abandonado o blog ou tenha me tornado um herói mascarado que combate o crime usando seus incríveis poderes, é mais pela porrada de mudanças na minha vida pessoal e profissional e creio que essa série é a coisa ideal para quebrar meu hiato, algo leve e simples e sem mais delongas vamos para o texto.
Eu nunca fui o maior fã da Maísa durante a minha infância e juventude, temos uma diferença de 4 anos de idade eu sempre curti andar com a galera mais velha do colégio, meu círculo de amigos reflete bem isso, então eu era muito mais fã da Priscila e do Yudi e quando todos os meus colegas de terceiro ano estavam fascinados com Verdades Secretas eu curtia minha vibe adolescente nerd ouvindo os podcasts (na época que era underground e por isso bom), descobrindo tokusatsus e me aventurando em filmes fora da bolha pipocão e por isso via uma obra que trabalhava o mundo secreto das modelos de book rosa algo já narrado diversas vezes em obras gringas e decidi não assistir, esses fatos narrados já mostram que eu não tenho nenhuma conexão emocional com as duas atrizes, apesar de reconhecer que são ótimas profissionais e quando soube desta série por um post na rede mundial de computadores resolvi dar uma chance, mas eu estou enrolando sem dizer sobre o que é a série e vamos lá, De volta aos 15 é uma série leve e divertida sobre viagem no tempo nos apresentando uma visita ao início dos anos 2000 de uma perspectiva brasileira (apesar de classe média brasileira demais para o meu gosto) e nos apresenta Anita, uma mulher de 30 anos que tem uma vida bem bagunçada e em meio a um barraco na festa de casamento de sua irmã mais velha descobre um meio de voltar no tempo e modificar a linha do tempo.
A mecânica apresentada na série me interessa bastante por brincar com a ideia de não ser possível enviar matéria até o momento apenas informação e por isso a mente de Anita volta para o seu corpo jovem e tem a chance de corrigir os erros que complicaram sua vida, como não curtir essa ideia ? Efeito Borboleta, De volta para o futuro, se olharmos quantos filmes, livros, gibis o desejo de voltar no tempo é constante na humanidade, porém poderia ser melhor, afinal quando ela retorna para o futuro, a mesma não se lembra de nada e precisa se atualizar de tudo, algo que funciona para a história seguir, mas te deixa pensando em coisas tipo como ela consegue pagar conta como ? provavelmente a senha do banco é outra e bobeiras assim.
Foi bem divertido ver os diferentes cenários baseados nas pequenas escolhas como brigar com seu amigo, esquecer um compromisso ou até mesmo ser legal com alguém tem a capacidade de mudar tudo e esse é um ponto muito positivo da obra, não achei nenhuma das linhas do tempo forçadas, talvez alguns personagens tenham se tornado unidimensionais, porém a segunda temporada a caminho me faz pensar que não foi erro sim um resguardo dos personagens.
Um grande acerto foi apresentar César, um jovem que a princípio se vê como homossexual e sofre com o preconceito e agressões dos colegas de escola e seu próprio irmão, seu pai também foi outro acerto saindo estereótipo do pai preconceituoso para ser um homem compreensivo e amoroso, porém não posso dizer o mesmo do Guilherme, o jovem negro e em certo ponto interesse amoroso da protagonista, não que eu desejasse que ele sofre racismo em todo episódio, mas um grupo de bullies focar tanto em cabelo cacheado versus cabelo liso e esquecer do jovem negro ali do lado me pareceu preguiça de se aprofundar nisso.
O figurino e a tecnologia está de parabéns, eu era criança no período em que a série se passa, mas tenho uma boa memória e ver os perrengues como a Anita sugerindo uma playlist no Spotify e a irmã olhando com uma cara de que porra é essa e ela tendo que se explicar e fazer malabarismos.
Esse não é o tipo de série com muito a se falar, a jornada dela é a parte divertida, te fazer refletir sobre as amizades da infância que saíram da sua vida, que chegaram, os amores não ditos, os saltos de fé que se tornaram o primeiro coração partido ou o grande amor, a saída da infância e início da adolescência é um período mágico onde todas as portas estão abertas e nós mesmos estamos dispostos a nos aventurar, a dizer um oi para uma amizade com o outro nerd da sala, chamar a gatinha pra sair entre outras coisas, crescer é muito bom, mas por mais que a vida adulta nos abra diversas portas, a feridas causadas pela vida e a bagagem emocional nos torna incapazes de seguir por todas elas.
O que eu tenho a dizer é : Assista a série, reflita e se permita.