Eu não sei qual a intenção da serie Halo, seriado que teve sua primeira temporada veiculada no streaming da paramont, o Paramont +. E quando eu digo "não sei qual a intenção da serie" eu estou formulando esta pergunta sabendo que existem vatias intenções sobre ela, a que está na superficie, seria a de entreter, apenas uma serie de um jogo que tem uma base de fãs consolidada, e ganhar dinheiro é sempre a intenção primordial de toda peça de uma sociedade neo-liberal, como é a americana, disfarçar essas peças de algo mais profundo, pra gerar não só engajamento nas redes (hoje em dia) como tambem uma passação de pano pros empreendimentos de midia e entretenimento é o que faz as obras terem sentido de existir no mundo. E é aqui onde eu quero chegar: eu não sei qual o intuito filosófico por tras da serie Halo (2022), por mais que eu saiba que tudo nela é pensado pra gerar comoção, e posterior engajamento nas redes, para que assim o canal da paramont possa chamar a atenção do publico, que vai assinar o serviço dando mais grana pro canal, e este se viabilizar como um canal de streaming atrativo, que por sua vez gerará mais lucro pros acionistas da Paramont, para que estes tirem mais grana e possam investir em mais conteudos para que a "roda" continue a girar, utilizando-se para tal intento do apelo que a serie de jogos tem. Eu tambem sei que o lado da X-box tem o mesmo intuito, so que consolidando uma serie de jogos como um sucesso transmidia pra tirar mais grana da marca "Halo" e poder lançar mais jogos conquistando mais publico... é sempre grana.
O que me interessa mesmo neste post é "o que a serie Halo quer comunicar", retirando toda a intenção merdadologica da serie, para o quê ela apela, qual o ensinamento ou mensagem ela quer passar, com o intuito de me enganar e me transformar em um usuario engajado de redes sociais falando dela? Qual no fim das contas é a intenção da serie? Pois so os artificios de "apenas entreter" nem sempre vão funcionar, e talvez eu so esteja querendo me desculpar por querer ver algo maior que a serie não tem, e se for este o caso, e se você caro leitor estiver percebendo toda esta introdução como um artificio autoconsiente de "tentar ver algo que não existe" da minha parte, então pode parar de ler este post agora e voltar a seus afazeres, e peço singelas desculpas por faze-lo perder seu tempo. Vou até te dar um paragrafo pra pensar se quer mesmo continuar lendo...
Assim resolvi fazer esse singelo post, pra dizer "o que eu entendi da serie foi" ou "o que eu extrai subjetivamente da serie foi" ou "o que eu interpretei, do que eu vi na serie foi" ou ate melhor "foi assim que a serie me enganou, para que eu pudesse fazer um conteudo vinculado a ela, pra gerar engajamento e dessa forma contribuir para que os planos neo-liberais dos acionistas da Paramont e da X-box fossem bem sussedidos". Você caro leitor que decida.
Voltando a serie Halo, temos um futuro onde a raça humana exploradora (e aqui o conceito de explorar pode ser tanto no sentido de tantar encontrar algo desconhecido, como o de se apropriar de algo que não é seu e tirar proveito de forma predatória porque tem meios para isso) de outros mundos e se depara não so com disputas locais desses recursos, como também com uma raça de alienigenas que quer o fim dos humanos e de tudo que a humanidade representa para esse aliens... no fim o Covenant é uma união militar teocratica de varios alienigenas que odeiam os humanos. Mas é sem motivo? você pode estar se perguntando. Claro que não, eles tem A profecia de que uns serezinhos ai dos confins do universo iam chegar e com sua ganancia iriam destruir toda a vida existente no universo. Mas no fim os Covenants so estão pregando em uma raça a problematica de se ter necessidades ilimitadas e recursos limitados, e fazendo a proteção de seus dominios... não que esse alerta quanto aos seres humanos não seja bem pertinente ne... mas a alegoria do Covenant é fazer questionar a propria humanidade com suas limpezas étinicas pra proteger um pedaço de terra e os recursos que esta terra pode trazer... a humanidade tem um historico vasto e longe de genocidios que tinham como objetivo se apossar de uma "terra prometida" (eu sei que "longo" e "vasto" são sinonimos, to usando pra dar enfaze mesmo). Toda civilização humana ja criou pra si mesmas o selo de "povo escolhido de algo divino", pra justificar massacrar outros humanos menos fortes e se apossar de suas terras, e assim poder explora-lás sem o menos pudor ou peso na consciencia.
E é essa discussão que a serie traz, e traz muito bem, mas não é a unica. Pois Halo tem muita coisa a dizer, e enquanto escrevo este post estou lembrando de inumeros outros temas abordados em volta do tema principal, que apesar de se apresentar como o conflito entre duas raças, vai, conforme avança, apresentando muitos questionamentos sobre os atos e as conscequencias que esse conflito pode trazer pra ambas as raças. Como essas duas forças vão tomando atitudes escusas em nome de um "bem maior" mas que calsa sempre tanto maus a um numero tambem exponencial de seres. É na figura do soldado que foi usado a vida inteira, mas que não consegue não seguir sua diretriz ideologica de conflito, que a serie Halo vai nos fazendo questionar a natureza belicosa daquela sociedade e como, até as atitudes dos cientistas teem impressas em seus resultados a dualidade da obstinação cega e da ganancia da humanidade em atingir seus objetivos, todas essas atitudes disfarçadas de uma causa que vai levar "ao bem maior".
Apesar de no começo ter torcido o nariz pro fato de que logo no primeiro episodio o protagonista, um personagem sem rosto, ter retirado o capacete e mostrado sua cara, posso dizer hoje, tendo chegado ao final da serie, que a decisão foi muito da acertada. O ator não é brilhante, mas é muito competente, e por conta disso depois de 3 episodios eu ja estava aceitando que aquele era o rosto daquele Master Chief, que passou de um personagem sem rosto e com a unica personalidade de falar frases de efeito enquanto atira em aliens, á um soldado que se depara com uma verdade deplorável sobre si mesmo e o sistema que o usa, mas que possui também um destino pior, se considerarmos que em seu codigo genetico existe uma chave que o conecta com uma possivel arma de destruição em massa que pode aniquilar não somente os inimigos da humanidade, como tambem a propria humanidade, um peso muito dificil pra ser carregado por um personagem sem rosto. Era preciso dar um rosto a Chief, foi dado o de Pablo Schreiber e este cumpriu bem seu papel.
Mas não tem nada que tenha me impactado mais na serie, do que o final tragico da personagem Makee, interpretada com brilhantismo pela atriz Charlie Murphy, a personagem transita de forma maravilhosa entre ser a antagonista com fortes convicções, posteriormente aquela que questiona tudo aquilo que aprendeu sobre a humanidade sob a otica do Covenant, então ao conhecer um igual abandonar aquelas convicções, e retornar para elas ao ser machucada. E durante todo esse arco a personagem ganha nossa simpatia... principlamente pelo fato de que ela é a vitima de acontecimentos que estão alem dela, e é com um gosto amargo que acompanhamos seu desfecho, pois antes de sua morte sabemos que ela será sacrificada pelo Covenant que a detesta, e sempre a detestou, estava apensa à usando para chegar a seus objetivos. Realmente Makee é a melhor personagem dessa serie, uma pena que não poderá estar presente na, ja confirmada, segunda temporada, ou talvez esteja, quem sabe...
Em determinado ponto o Capitão Jacob Keyes, interpretado por Danny Sapani, fala sobre Makee a Chief, o avisando sobre o cuidado que este deveria ter com aquela, haja vista a moça havia passado uma vida inteira sob tutela do Covenant e desligar anos de uma ideologia era impossivel e não seria como apertar um botão, ao que Chief responde que ele havia conseguido, referenciando-se a um outro momento na serie onde o protagonista, com auxilio de Cortana, havia retirado seu inibidor de sentimentos, e assim passado a ver as coisas alem de so uma ordem que deveria ser cumprida. E é aqui onde a serie acerta novamente: apos esta retorica um acontecimento levam Chief a se sentir traido por Mekee o que o faz cumprir a missão que os verdadeiros culpados de todos os infortunios passados, tanto por Chief, como por Makee, querem que ele complete, saindo assim ilesos e sem punição alguma, afinal, não fossem as atitudes, tanto do capitão Jacob, quanto, e principalmente, da Almirante Margaret Parangosky, interpretada por Shabana Azmi, a situação teria sido resolvida de forma pacifica. E é nesses momentos que Halo me deixou com uma impressão de "critica ao militarianismo", como outro traço da critica a pessoas obstinadas em seguir ordens por um "bem maior".
Por fim é na figura da Dra. Halsey, interpretada pela belissima Natascha McElhone (quem lembra dela em O Show de Truman?), que a serie usa para consolida seu olhar critico sobre o "bem maior" que pode causar o mau em mesma proporção. Pois a obstinação da Dra. em cumprir seu objetivo, que ao longo da serie vai ficando claro, é o que causa tanta dor e sofrimento aos que à circundam, da filha que ela apenas usa, ao Chief, que é para ela apenas um veiculo para que a humanidade "atinja seu verdadeiro potencial", Halsey vai mostrando o lado podre da ciência, quando esta é utilizada como mecanismo de manutenção de um progressismo predatório, que olha para as qualidades humanas e as vê como imperfeições que atrapalham a nossa especie em atingir "seu verdadeiro potencial", seja lá o que isso for. E é na figura da Dra. que a serie nos mostra o perigo de abandonarmos nossas conficções humanas em nome desse mau maior. Apesar de não termos uma catarse nesta temporada, pois a Dra. Halsey não tem seu fim derradeiro, temos um vislumbre de alguem que é tão vilanesca que, se disfarçando de benfeitora, apenas utiliza-se de uma desculpa favoravel para se sentir melhor, mesmo cometendo as atrocidades que comete. Na Dra. temos um progressismo de direita (sim ele existe), aquele onde em nome do pogresso de toda a humanidade não se vê problema em desmatar florestas, aniquilar rios e exterminar povos inteiros, se for pela desculpa certa a "ciencia" e o progressismo podem ser otimas desculpas para que se cometam atrocidades, sem que haja uma punição, ou questionamento por parte, e para com, os agentes dessas atrocidades. Halsey ainda deve desempenhar mais o papel de vilã, mas espero que a serie continue usando da dualidade pra nos fazer questionar se a personagem é mesmo tão ruim quanto parece ou se ela tem motivos aceitáveis pra ter feito o que fez e faz.
E por ultimo (é serio o post ta acabando) e não menos importante, Cortana, tambem interpretada por Natascha. Cortana é a I.A. que nos jogos se torna uma filha da puta, mas aqui na serie vemos o nascer de Cortana, e sua tragetoria de entender a humanidade atraves dos olhos e sentimentos de Master Cheif, o que dá pra dizer é que cortana ainda não tem tanto destaque quanto gostariamos, mas que nessa temporada ela age bem em ser a tecnologia que ajuda o protagonista a ser melhor. É interessante como a situação onde o protagonista se encontre seja tão ruim ao final da serie que ele não tenha escolha, a não ser se doar ao plano da Dra. Halsey, o que uni o corpo de Cheif com a "mente" de Cortana. Eu particularmente achei muito interessante o paralelo do protagonista que começa como uma arma e vai aos poucos se humanizando, para ao final da serie se tornar uma arma ainda melhor do que era, quando se doa a I.A. Cortana, uma atitude dessesperada para salvar os seus companheiros.
Pra fechar esse post quero falar um pouco das cenas de ação, que são excelentes, nos por em primeira pessoa por uma boa parte dela é algo muito interessante. A serie não tem muitas cenas de ação, mas as que estão lá são otimas. E o ato final da serie é muito bom com uma cena de ação que vai agradar os fãs da franquia de jogos.
E é isso, por fim a Nota para a Serie...
Nota: 8,5 / 10
Valu e até semana que vem!!!