Olá Fugitives, a primeira coisa que tenho que dizer é que sou um entusiasta da Prime vídeo e das produções da Amazon e hoje venho trazer uma trama tupiniquim e noventista.
DOM, é livremente inspirada na história do criminoso conhecido como Pedro Dom, algo que é inusitado ao se retratar um criminoso no audiovisual, pelo menos em produções nacionais.
Por algum motivo as propagandas no metrô e o trazer da série me fizeram pensar ser algo relacionado ao sobrenatural, seria bom também, mas grata surpresa veio ao assistir o primeiro episódio e gostar, mas sem saber o motivo de ter gostado. Continuei assistindo e a dinâmica entre Dantas e Pedro, pai e filho respectivamente, me lembrou kamen Rider kiva onde acompanhávamos também a jornada de pai e filho. As rimas narrativas que nos mostravam os anos 70 e o final dos 90.
Dantas se mostrou o melhor clichê de policial renegado os anos 80/90 quando velho e quando jovem um ótimo James Bond com direito a bondgirl gringa, por mim um spin-off focado só nas aventuras dessa época é mais que bem-vindo.
Mas sobre o que é Dom ? Uma explicação no estilo Rota de Fuga.
Ao meu ver DOM é uma série que possui dois núcleos temporais bem distintos, o dos anos 70 tem uma vibe de espionagem em plena ditadura militar e complementa isso com a história do tráfico se organizando de fato nas favelas, já nos anos 90/2000 vemos as consequências da chegada da droga no Brasil e em especial na vida dos jovens. A série explora muito bem o vício do protagonista sem romantizar e mostra como isso é uma questão de saúde pública e não só de polícia como muitos pensam, em vários momentos da série é possível ver Pedro tentando genuinamente se afastar das drogas e viver uma vida limpo, porém o vício acaba encontrando uma fenda e atacando, toda essa parte conseguiu ficar interessante e nem um pouco maçante, algo que conta pontos para edição da série que soube casar momentos frenéticos com momentos de reflexão e crítica.
E se o filho representa o usuário/criminoso o pai representa o policial, Dantas em sua juventude tem uma visão idealista que não se perdeu com o tempo, mas aprendeu a duras penas que o mundo não é preto no branco, quando ele se infiltra no morro para impedir que a nova droga, a tal cocaína, se espalhe no Rio de Janeiro acaba vendo a vida humilde dos moradores da comunidade e também aprende um pouco sobe a filosofia do crime na região, já nos anos 90 Dantas é um personagem noir, um detetive que resolve com próprias mãos que tem culhões e está cansado, de nenhum modo isso fica forçado na trama visto que isso é bem trabalhado, o roteiro e a atuação ajudaram muito a naturalizar isso, apesar de que no inconsciente brasileiro, pelo menos do carioca, o ex-policial já tem essas caraterísticas, para o bem ou para o mau.
DOM coloca o dedo na ferida mostrando a corrupção na polícia e a não só a chegadas das drogas no território nacional, mas como graças a corrupção elas puderam se espalhar quase que livremente e principalmente o que as drogas podem fazer a vida de uma pessoa e com as pessoas ao redor desta e mais que dar a mensagem genérica de NÃO AS DROGAS, explicar o motivo disso e que não se resolve dando porrada, se resolve com prevenção para que a pessoa não chegue nesse ponto e caso chegue tenha um atendimento e acompanhamento para poder superar esse problema.
Essa é uma produção nacional que não teve tanta divulgação e boca a boca como outras produções gringas da Amazon e talvez parte disso seja pelo fato dos episódios terem sido liberados todos de uma vez, o formato de um por semana teria sido mais vantajoso, eu torço por uma segunda temporada e aqui encerro o meu review de fuga de hoje.